Case · SaaS B2B
ERP — Módulo Financeiro
Modernizando o módulo financeiro de um ERP com muitos anos de legado.
Nota: por cláusula de confidencialidade (NDA), o nome da empresa, dados quantitativos específicos e detalhes internos de negócio foram omitidos ou generalizados neste case. O foco aqui é o processo e o raciocínio de UX por trás das decisões.
Contexto
A plataforma é um ERP robusto usado por uma base grande de usuários, distribuída em dezenas de módulos diferentes. É um sistema com muitos anos de existência, e boa parte dessa história ainda vivia na interface: telas que misturavam vários objetivos ao mesmo tempo, padrões visuais inconsistentes entre uma tela e outra, baixo contraste e legibilidade, e uma dependência de aplicativo desktop restrito a um único sistema operacional, o que travava a experiência de qualquer usuário fora desse ambiente. Acessibilidade nunca tinha sido pensada como requisito, mesmo com uma base de usuários que incluía muitas pessoas usando telas pequenas, computadores antigos ou com dificuldades visuais.
O reflexo prático disso aparecia fora da tela: alta demanda por treinamento durante a implantação e um volume constante de chamados de suporte para tarefas que deveriam ser simples.
O desafio
Um dos módulos mais críticos e complexos do sistema é o financeiro: emissão e fechamento de lotes de fatura, processamento de remessa e retorno bancário, contas a pagar e a receber, DRE, e integrações externas com serviços de emissão fiscal, pagamentos e processamento de cartão. Era um fluxo burocrático, com excesso de cliques para tarefas rotineiras e uma interface datada, que não passava confiança para quem lidava com dinheiro todos os dias.
Processo
Conduzi esse trabalho usando a metodologia Ciclos de UX (Entender, Consolidar, Entregar), em conjunto com as equipes de produto, negócio e engenharia.
Na fase de Entender, o caminho não foi linear. A primeira tentativa foi analisar os chamados de suporte para mapear os pontos de fricção mais recorrentes, mas essa análise se mostrou inconclusiva: os problemas estavam pulverizados demais entre módulos e naturezas diferentes para apontar uma direção clara. Diante disso, mudamos de estratégia e fizemos um benchmark não só com concorrentes diretos do mercado de ERPs, mas também com plataformas de outros setores, o que trouxe hipóteses concretas de onde poderíamos melhorar.
Com essas hipóteses formuladas ao lado de produto, negócio e engenharia, fizemos protótipos de baixa e alta fidelidade no Figma, e os testes de usabilidade foram feitos com os mesmos usuários reais entrevistados na etapa anterior.
A decisão que fez diferença
O processo de pesquisa fez emergir uma questão pouco óbvia: os clientes estavam habituados a um processo manual de remessa e retorno bancário (gerar arquivo, enviar ao banco, esperar o retorno, baixar e processar à mão), enquanto o mercado já caminhava para tratar isso via API, eliminando esse processo manual por completo.
Então o ponto chave era automatizar essa tarefa, em vez de apenas melhorar a interface e manter o fluxo manual. Levamos essa hipótese para conversas com grandes clientes da base e conseguimos validar que a mudança não só otimizaria a rotina de quem paga as contas do cliente, como aumentaria a percepção de robustez e agilidade do produto como um todo.
Resultado
A solução evoluiu para uma abordagem de embedded finance, com dashboards financeiros e a tela de contas a pagar integrada ao módulo de transferências. O trabalho recebeu retorno positivo tanto internamente quanto de clientes de longa data, que relataram uma rotina financeira mais rápida e um acompanhamento mais claro de pagamentos, contas a receber, inadimplência e atrasos. Essas mudanças ajudaram o produto a se posicionar melhor frente a concorrentes e a se destacar em premiações de inovação no setor de atuação.
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